30 de setembro de 2013

Rock In Rio, dia 22 ... finalmente o Metal - Parte 2 (Palco Mundo)

Organismo devidamente reidratado com algumas cervejas, era hora de encarar algo que eu já imaginava bem como seria, e de fato não errei em meu julgamento inicial. Coube a banda brasileira Kiara Rocks a dura missão de abrir os shows do palco Mundo neste dia, e assistir (ou pelo menos tentar) a este show foi um sacrifício imenso, uma banda fraca para o dia (a palavra fraca foi uma tentativa minha de ser generoso, pois a certa seria “ruim“ mesmo), e que tentava desesperadamente parecer gringa, o vocalista insistia o tempo todo em forçar um sotaque americanizado, a única coisa que prestou deste verdadeiro fiasco foi a participação de Paul Di’Anno, que mandou muito bem cantando os covers de “Highway To Hell”, “Blitzkrieg Bop” e “Wrathchild”, no mais foi algo totalmente dispensável e até mesmo chato ... muito chato de se ver. Reconheço aqui que os caras tiveram muita coragem de subir naquele palco, isto por si só já merece todo o respeito, mas não minimiza o fato de o show ter sido muito fraco e pior ainda, demonstra o total despreparo deles para aproveitar uma chance de ouro que é estar no palco principal deste evento. Ressalto também que está é a MINHA OPINIÃO. 


Boa ação anual realizada, ou seja, permanecer acordado durante o show da banda Kiara Rocks, iniciei a minha preparação para o reinado de sangue que viria a seguir. Acho que não somente eu, mas todos que estavam ali compartilhavam da mesma dúvida, como se comportaria o Slayer após a morte de Jeff Hanneman? E não demorou muito para que descobríssemos a resposta. A escuridão do palco Mundo se transformou num mar de luzes vermelhas e fumaça, e com toda a fúria de “World Painted Blood”, Tom Araya, Kerry King, Gary Holt e Paul Bostaph invadiram nossos tímpanos com o mais brutal e perfeito Thrash Metal do mundo, simplesmente avassalador, e a porradaria continuou com “Disciple” e a fenomenal “War Ensemble”, confesso que nunca vi uma roda hardcore tão grande quanto a que se abriu no meio da galera, “At Dawn They Sleep” prosseguia com a avalanche sonora, King e Holt pareciam um só tamanho o entrosamento entre eles, Araya se divertia      com as pessoas que se arriscavam a descer pela tirolesa enquanto o show corria solto, tivemos ainda “Mandatory Suicide”, “Die By The Sword” e “Dead Skin Mask” antes que o Slayer tocasse a sua baladinha “Seasons In The Abyss” ... rs, no telão começaram a aparecer imagens de Hanneman que foram acompanhadas pelas clássicas “South Of Heaven”, “Raining Blood” e a obra prima “Angel Of Death”. Sei que muitas pessoas podem achar que faltaram muitas outras músicas no set-list, de minha parte, qualquer elogio seria pouco para descrever um show que começa com “World Painted Blood” e termina com “Angel Of Death”, sendo assim, me limitarei a um único comentário ... É SLAYER porra! 


A próxima atração a se apresentar Avenged Sevenfold, na minha opinião seria a grande interrogação da noite, eu não conhecia absolutamente nada a respeito destes californianos, e conversando com algumas pessoas pude perceber que é uma banda que está se equilibrando entre a tênue fronteira que separa o desprezo da adoração, a verdade é que eu não demoraria muito para formar a minha opinião. Visualmente falando o show dos caras é literalmente explosivo, com muita pirotecnia, bem bacana, o palco também chamava a atenção com os seus enormes portões em chamas como na música “Sheperd Of Fire”, me impressionei bastante com o baterista do grupo, a pegada continuou em “Critical Acclaim”, “Beast And The Harlot”, “Hail To The King”, acalmando apenas com as baladas “Buried Alive” e “Fiction”, e finalmente a “molecadinha” se incendiou em “Nightmare” cantada em coro. Um show bem legal, as músicas são boas, até pesadas, mas tive a clara impressão de que alguns riffs e ritmos foram sugados de outras bandas. Duas observações, acho que escalar a banda Avenged Sevenfold entre Slayer e Iron Maiden não foi uma decisão tão inteligente assim; e os guitarristas da banda não esboçaram um sorriso sequer, não demonstraram em nenhum momento satisfação por estarem ali, uma atitude muito poser, quer saber fodam-se eles!



Deixando as polêmicas de lado, o grande momento se aproximava, Iron Maiden a maior banda de Heavy Metal do planeta estava de volta ao RIR após 12 anos, e a julgar pela quantidade de gente usando camisetas do grupo, este seria mesmo o ápice do festival, legal ver muitos pais com seus filhos aguardando o show da banda, gerações de fãs apaixonados gritando em coro Maiden ... Maiden ...!!!. E os ingleses souberam retribuir a altura tamanha demonstração de carinho, trazendo para o Brasil boa parte da Tour “Seventh Son Of A Seventh Son” de 88, não acreditei quando aos primeiros acordes de “Moonchild” vi aqueles blocos de gelo no palco, sensacional! Acho que assim como eu todos os fãs deliraram, nem tive tempo para me recompor e “Can I Play Whith Madness” já rasgava o ambiente acompanhada por “The Prisoner” e depois ainda destruí o meu pescoço embalado pelos riffs de “2 Minutes To Midnight”, descanso merecido com “Afraid To Shoot Strangers” e Bruce Dickinson surge no alto da geleira empunhando a bandeira da Inglaterra ... “The Trooper” ... PQP!!! Como ele consegue cantar daquele jeito correndo sem parar? O sexteto britânico executou ainda todos os seus clássicos, ou pelo menos boa parte deles (dos antigos), e fez no palco tudo aquilo que já estamos carecas de saber que vai acontecer, aí um sujeito que acha Avenged Sevenfold a oitava maravilha do mundo diz “os caras estão velhos, estão repetindo sempre a mesma coisa” ... meu querido, se MATE antes de sonhar em querer comparar uma porcaria enlatada americana com a maior banda de Metal que existe, porquê se repetir e fazer isto com total maestria somente é permitido a quem é realmente GRANDE.  Falar sobre um show desta banda é como “chover no molhado”, sendo assim resumindo a história ... Iron Maiden é Foda!!!



Henrique Linhares



24 de setembro de 2013

Rock In Rio, dia 22 ... finalmente o Metal - Parte 1 (Palco Sunset)

O dia 22/09 foi disparado o melhor de todos desta edição do festival Rock In Rio, um momento de festa para o Metal, essa definição se encaixa perfeitamente para ilustrar tudo que ocorreu neste dia na Cidade do Rock, é bem verdade que havia aquele gostinho de fim de festa no ar, mas sabíamos perfeitamente que o que estava por vir serviria como um convite para a edição de 30 anos do evento em 2015.


O Palco Sunset consolidou-se neste dia, não apenas como um mero coadjuvante da festa, mas sim como um parceiro do palco Mundo, merecendo até o mesmo destaque deste último. O Sunset foi o responsável por encontros únicos e memoráveis no RIR.

O primeiro encontro do dia já mostrava bem como seria toda a maratona Metal de atrações, nada mais nada menos que Andre Matos e Viper. Andre levantou a galera, que começava a se amontoar em frente ao palco, o “maestro” arrebentou cantando clássicos do Angra como “Angels Cry” e “Carry On” e deixou todos em êxtase com “Fairy Tale” de sua passagem pelo Shaman, mas o que todos realmente queriam ver e ouvir era Viper em sua formação clássica, mesmo sem a presença do guitarrista Yves Passarel hoje no Capital Inicial, e aos primeiros acordes de “Living For The Night” o público foi literalmente a loucura, loucura esta que continuou com “”To Live Again” e “Rebel Maniac”, o reencontro dos músicos encerrou-se com uma homenagem a banda Queen, uma das maiores atrações da primeira edição do RIR, a banda de Andre Matos e o Viper juntos no palco tocaram a clássica “We Will Rock You”, é bem verdade que o show foi bem curtinho, mas foi muito bom ver Pit Passarel, Andre e Felipe Machado juntos novamente.


Público devidamente aquecido, e espaços completamente tomados, foi a vez do Destruction despejar seu “The German Thrash” sobre nós pobres mortais, o Sunset tremeu. Schirmer e seus comparsas não fizeram por menos e detonaram tudo, de cara fomos brindados com “Curse The Gods” seguida por “Thrash Till Death”, visivelmente feliz o grandalhão Schirmer estava bastante comunicativo, arriscando inclusive algumas palavras em português, mas ele próprio reconheceu que sua intimidade com a nossa língua deixa muito a desejar, e entre vários elogios ao Rio e pedidos por caipirinha o Thrash corria solto com “Spiritual Genocide”, “Nailed To The Cross”, a sensacional “Mad Butcher”, “Armageddonizer”, “Bestial Invasion” e por fim “The Butcher Strikes Back”, mas não pense que a ignorância acabou aí ... rs ... pois neste momento a banda gaúcha Krisiun entra em cena e juntos, o Thrash alemão e o Death tupiniquim fazem história com a também clássica “Black Metal” do Venom, cara nem sei como descrever este momento precisamente, 2 bandas fodas tocando juntas uma das músicas mais insanas do Metal e ainda por cima com 2 baterias simultâneas, quem viu ... viu!!! Os alemães saem de cena para tomar um ar enquanto o trio brasileiro despeja sua fúria sobre a plateia com as músicas “Kings Of Killing”, “Combustion Inferno”, “Vicious Wrath” e “Ominous”, como diz um amigo meu, foi uma “tijolada na boca”, novamente no palco Krisiun e Destruction nos presenteiam ainda com “Total Desaster”, se me dissessem que o Rock In Rio tinha terminado ali eu já estaria satisfeito, mas calma, a diversão estava apenas começando.


A esta altura uma multidão se espremia junto ao palco Sunset esperando pelo show da banda Helloween e logo aos primeiros acordes de “Eagle Fly Free” todos já estavam pulando, o som não estava bem ajustado nesta primeira etapa, mesmo assim deu para ver como seria o show dos caras, seguiram-se “Where The Sinners Go” e “Waiting For The Thunder”, com os problemas no som já resolvidos o vocalista Andi Deris aproveitou para se divertir com o público, muito legal de ver o domínio do cara com a massa headbanger, tocaram ainda “I’m Alive”, “Live Now!”, “If I Could Fly”, “Power” e “Are You Metal?” e então chegou o momento que fãs como eu aguardavam, o lendário membro fundador da banda Kai Hansen sobe ao palco para se juntar ao grupo e barbarizar em 3 dos maiores clássicos do Power Metal mundial “Dr. Stein”, “Future World” e “I Want Out” ... PQP!!! É inegável a importância do Helloween para o Metal, afinal de contas foram eles os responsáveis pela criação do Power Metal, mas verdade seja dita, o vocalista Andi Deris (pelo menos ao vivo) é muito fraco, o cara pode ser comunicativo, até mesmo carismático, mas vocalmente falando é bastante limitado.


O palco Sunset se despediu desta edição do RIR com um último encontro, podemos dizer, pra lá de inusitado, Sepultura e Zé Ramalho, sei que muita gente torceu o nariz, mas confesso que achei até legal. Sepultura no Rock In Rio, com méritos à banda, não é nenhuma novidade, mesmo porque já haviam se apresentado no palco principal dias antes, mas o legal deste show em particular foi que eles tocaram músicas que nunca haviam sido testadas ao vivo antes, “The Hunt” um cover da banda New Model Army que fazia parte do CD Chaos A.D. foi uma delas, tocaram também “Dusted”, “Spit” e deram uma canja de uma das canções do novo álbum da banda, “Da lama ao caos” com Andreas nos vocais, chegava a vez do grande convidado participar da festa, Zé Ramalho, muito bacana ouvir músicas como “A dança das borboletas” e “Jardim das acácias” com um instrumental pesado, Zé cantou também uma música do disco solo de Andreas “Em busca do ouro” e “Ratamahatta” do próprio Sepultura, fechando a noite no Sunset com uma de suas obras mais conhecidas “Admirável gado novo”, o resultado parece que agradou a todos, pois foram ovacionados ao som de Zépultura por boa parte dos presentes. Um momento único para abrilhantar ainda mais este dia.



Henrique Linhares

20 de setembro de 2013

Ghost no Rock In Rio

A banda sueca Ghost apresentou-se ontem, 19/09, no palco principal do Rock In Rio, e o que se viu foi um show extremamente técnico e competente, infelizmente a proposta musical da banda parece não ter sido entendida por uma parte do público presente, que em certos momentos do show chegou a ser desrespeitoso com os músicos, talvez a maior parte destas pessoas estivesse ali unicamente para os shows do Sepultura e Metallica, honestamente acho que não foi este o caso.

Muita gente reclamou (e continua reclamando) das bandas selecionadas para este Rock In Rio, concordo plenamente que um evento como o Rock In Rio deveria privilegiar bandas de Rock, neste sentido não me refiro exclusivamente às bandas de Metal, e realmente Ivete Sangalo não se encaixa neste contexto, vejamos, o que seria do Festival de Verão da Bahia se bandas como Sepultura e Korzus tocassem lá por exemplo? Mas a verdade é que o Rock In Rio hoje é uma marca acima do próprio evento, isto é um fato, e não podemos fugir dele, ontem tive uma prova palpável da falta de coerência das pessoas que criticam o festival, por que razão desrespeitar uma banda como o Ghost? Se vocês reclamam por conta das bandas selecionadas não serem Rock’n’Roll, ou Metal, então por que motivo ignorar e até mesmo “desprezar” uma banda que por méritos próprios é aclamada mundialmente dentro do seu estilo?

Não sejam Hipócritas!!! 


É simples, se não gosta, NÃO VÁ, mas se for tenha no mínimo educação e respeito para com os outros.

Me desculpem, mas acho que se lutamos por respeito ao Rock’n’Roll em geral, devemos também carregar respeito dentro de nós mesmos, afinal de contas não podemos exigir dos outros virtudes que nós mesmos ainda não possuímos!


Henrique Linhares